Bruno Buratto, Henrique Krueger, Sérgio Honorato e Thiago Silva

Realização: Conquista da Travessia dos Massiambus, na Serra do Cambirela (Parque Estadual da Serra do Tabuleiro – SC).

A Serra do Cambirela, ainda que famosa apenas pelo pico homônimo, abriga os pontos culminantes da Grande Florianópolis (SC) e foi pouquíssimo explorada. Há muito se fala sobre a possibilidade de realizar uma travessia nessa cadeia de montanhas, mas ações efetivas iniciaram em agosto de 2017, quando Reginaldo Carvalho, Afonso Lenzi e Henrique Krueger realizaram uma investida de três dias e atingiram um cume sem nomenclatura na carta topográfica do IBGE, cuja altitude registrada foi de 1298 msnm, o qual nomearam “Massiambu Oeste”. Desde então diversas outras empreitadas foram realizadas, dentre estas:
– Agosto/2019: Partindo do mesmo trajeto do grupo anterior, Bruno Buratto e Thiago Silva de Souza fazem uma investida aos Campos do Artur.
– Jun/2020: Novamente pelo traçado que parte da Vargem do Braço, Bruno Buratto, Sargon Scheidt, José Valdir e Monk fazem uma investida sem sucesso ao cume do Massiambu Oeste. Neste mesmo ano de 2020, partindo do outro lado da Serra, na baixada do Maciambú, Bruno Buratto, Adriano Flor e Nem (nativo da região) fazem duas tentativas sem sucesso para alcançar o cume do Massiambu Leste (ou apenas “Massiambu” de acordo com a carta topográfica do IBGE).
– Maio/2021: Bruno Buratto, acompanhado de Walace, Andressa e Joni Fernandes, alcança o cume do Massiambu Oeste partindo da Vargem do Braço
– Maio/2021: Partindo da Vargem do Braço, Henrique Krueger e Dirceu Biasi fazem cume no Massiambu Oeste, cruzam os campos de altitude e conquistam o cume do Massiambu Leste, marcando no GPS 1295 m. A dupla desce da serra pelo mesmo caminho da subida.
– Ago/2021: Iniciando pela comunidade do Maciambú, Bruno Buratto e Sargon fazem uma investida sem sucesso ao cume do Massiambu Leste
– Set/2022: Bruno Buratto parte da comunidade do Maciambu para o cume do Massiambu Leste, acompanhado de Sargon. Sargon desiste no caminho mas Bruno segue até o cume e conquista o último trecho faltante para viabilizar uma travessia completa pelos dois pontos culminantes desta serra.

Sabe-se que uma série de investidas de outras equipes também foram realizadas, mas sem atingir cumes novos ou desbravando trechos significativos de novas trilhas. Estas supracitadas foram as mais relevantes para conclusão da travessia.

Eis que, seis anos após o primeiro intento, em maio de 2023 a equipe composta por Bruno Buratto, Henrique Krueger, Sérgio Honorato e Thiago Silva uniu a força e conhecimentos obtidos em diferentes empreitadas e concluíram a Travessia dos Massiambus, iniciando na comunidade de Vargem do Braço (Sto. Amaro da Imperatriz) e cruzando os pontos culminantes desta serra (Massiambu Oeste e Leste, respectivamente) para descer na baixada do Maciambú (Palhoça), num trajeto total de aproximadamente 28 quilômetros e 1900 metros de aclive acumulado. O trecho inicial, até atingir os Campos do Artur, é por trilha consolidada, a partir daí a caminhada passa a ser varando mato ou por caminhos de animais, hora por vegetação bastante fechada, hora por campos de altitude, mas sem nenhum trajeto demarcado. Tecnicamente a trilha demanda bastante cuidado nos trechos de baixada… Há barrancos com quase 90º onde faz-se necessário descer segurando firme na vegetação disponível. Uma vez que a equipe conhecia os caminhos por conta de investidas anteriores, foi possível realizar a conquista em 2 dias, carregando equipamento bastante leve, percorrendo aprox. 13 km no dia 01 e 15 km no dia 02.

Local da realização: A Travessia dos Massiambus liga os dois pontos culminantes da região da Grande Florianópolis (SC), o Massiambu Oeste e o Massiambu Leste. Sendo que até estas investidas realizadas, não haviam registros de ascensões nestes cumes. Esta cadeia de montanhas é denominada Serra do Cambirela e faz parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação do estado de Santa Catarina. A caminhada inicia na comunidade de Vargem do Braço (Sto. Amaro da Imperatriz) e finaliza na baixada do Maciambú (Palhoça). Não é exagero afirmar que em termos de beleza cênica, é equiparável aos famosos Campos do Quiriri, no norte de SC/sul do PR. Com relação a dificuldade, por conta de alguns passos que demandam cuidado e levando em conta o desnível topográfico e a navegação, o trajeto é um intermediário de outras duas travessias icônicas do sul do Brasil, a Serra da Farinha seca e a Alpha Ômega, localizadas no Paraná.

Data da realização: Última investida que resultou na travessia: 06 a 07/maio/2023

Links de referência: Os montanhistas não escreveram qualquer relato ou matéria sobre o assunto. A conquista foi divulgada apenas no informativo da AMOVI, impresso distribuído para todas as associações de montanhismo de SC. Arquivo disponível no link:
https://drive.google.com/file/d/108jV5LYoJtYG1CSOnDxTi-eM7Gam6rcK/view?usp=sharing