Monica Filipini

Mãe atípica, bióloga, montanhista e escaladora de paredes apaixonada desde 1998, morou em São Bento do Sapucaí onde se dedicou amplamente à escalada, ao fomento do montanhismo e ao
desenvolvimento da escalada feminina. No Complexo do Baú, realizou repetições em diversas vias de escalada tradicional, muitas destas em cordadas femininas, já que desde 2009, prioriza as escaladas com parceria de mulheres. Primeira repetição feminina (2007) da Homem Pássaro (6 VIsup E3) em cordada mista (Diogo Marassi); Primeira repetição over all em cordada feminina (2018) da Renascimento da Antiguidade (6 VIsup E2) (Dani Pinto e Antonio Calvo). Algumas das repetições em cordadas exclusivas femininas (parcerias: Dani Pinto, Luciana Maes e Natalia Schultz) revezando no Complexo Pedra do Baú: Fissura Corneto (5 sup VIIa E2), Gregos e Troianos ( 5 VIsup E2), Eu vi Primeiro (6 VIsup E2), Pássaros (VIsup E1) TransBaú (5 VII E2), Filho Homem (6 VIsup E2), Noia de Cão (5 VI E2), Wonder Woman (5 VIsup E2), Justiceiro (4 VIsup E2), Tudo Bem (5 VI E2) etc e mistas revezando (parcerias Daniel Peixoto, Diogo Marassi, Fernando Aranha, Rodrigo MontesClaros): Marvada Bunda (6 VII E3) Pimenta Honesta (6 VIsup E3) Learning to Fly (6 sup E3) Estica que dá (6 VIsup E3) V de Vitória (6 VIsup E2) Mantiqueira (5° VIsup (A1/8°) E3) entre outras. Realizou em 2017 o desafio BIG MIL, em parceria de Dani Pinto, escalando diversas vias nas rochas Bauzinho Baú e Ana Chata, até completar 1.000m no tempo de 12 horas e 40 min (sendo 9 de escaladas e o restante de deslocamento e descanso), sendo a primeira dupla feminina a realizar tal feito nestas montanhas.

Frequentadora desde 2004 dos Três Picos, escalou na região e tbm na Serra dos Órgãos, vias no Pico Maior (cordada mista Leste (5º V E3) em 2006, 2008 e 2010); cordada feminina com Luciana Maes
em 2010 pela via Decadence Avec Elegance (5º VIIa E2) escalada feita com apenas 01 corda aumentando o compromisso de cume; na parceria de Dani Pinto em 2016 pela via Leste em 4 horas e
meia de escalada e em 2017 novamente pela Decadence. Capacete (cordadas femininas: Sólidas (5 V E3) , Kbong (5 VI E2), Fata (5 V+ E3), Roberta (5 V+ E3). Vias clássicas no Dedo de Deus , Escalavrado, Cabritos, etc. Escalou em outras tantas e diversas regiões do pais (Bahia, Paraná, Santa Catarina, Minas
Gerais etc). Em parceria com Dani Pinto escalou no Yosemite nos EUA em 2013, a escalada clássica do Half Dome (Snake Dike 5.7 RO) e ainda a longa East Buttress na Middle Cathedral (5.10c /A0 5.9).

Viajou para a Patagônia Argentina 2018 (Frey) e tbm Cajón de los Arenales 2019 onde, em cordada feminina (Dani Pinto e Renata Leite), escalou a Agulha Campanille (Cuyanita 6a+fr)e Charles Webis (Fuga de Cabras 6b fr) e em cordada mista (Daniel Peixoto) Agulha Fraile via El Alquimista (6b+ fr).

Trabalha fervorosamente em prol do esporte participando do grupo de trabalho que criou a FEMESP-Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo em 2002 e o extinto CMSM Clube de Montanhismo da Serra da Mantiqueira, entidade em que trabalhou na diretoria e depois voluntariamente por mais alguns anos. Participou do início das discussões da formação da CBME. Co-responsável pela criação e implantação do Projeto Adote uma Montanha, que funcionou durante muitos anos sendo absorvido pela CMBE com áreas adotadas em todo Brasil. Trabalhou e participou da criação do extinto RESMONT, Grupo de Resgate em Montanha.

Bióloga, realizou pesquisa em vegetação rochosa e montanhosa (com orientação de Kátia Torres Ribeiro), subsidiando propostas importantes para a conservação e proteção da Pedra do Baú, como o Seminário de Mínimo Impacto (2009), a proposta da FEMESP para o zoneamento das paredes rochosas e contribuiu com a proposta de implantação do MoNa (Monumento Natural) Baú em 2010, fornecendo informação técnica para a sociedade e Conselho do MoNa (workshops, oficinas, seminários e palestras 2007 – 2022). Atualmente ajuda com infomações técnicas sobre vegetação rochosa ao grupo de combate a Tirolesa no Pão de Açucar e participa de grupos de ações ambientais.

Referência feminina na escalada, sempre trabalhou para o fomento do acolhimento, formação, independência e valorização das escaladoras brasileiras além de realizar ações contra o machismo e a misogina no montanhismo. Já palestrou na Adv Sports Fair em SP (2018) (maior feira de aventura da America Latina) palestra entitulada “Escalada Tradicional Feminina” e também no Encontro de Escaladores do Nordeste (2019).

Teve sua história, juntamente com sua amiga Dani Pinto, contada no curta documental “Mulheres são montanhas”, da diretora Renata Calmon, lançado em 2018, filme que ganhou o mundo e
esteve em mais de uma dezena de países. Este documentário é considerado pioneiro no meio e lotou a estreia do festival Rocky Spirit em SP em 2018. Participou da escrita coletiva do livro “Eu, Nós, Elas, a extraordinária natureza feminina” contando sua trajetória como montanhista, escaladora e mãe atípica.

Local: Brasil, Estados Unidos e Argentina

Data: 1998 – 2023

Referências: